Paulo Galvão - Estado de Minas
Maio começou no Atlético com a substituição do técnico Emerson Leão por Celso Roth e está chegando ao fim com jogadores saindo e outros chegando. Ontem, enquanto o goleiro Aranha finalmente treinou e foi apresentado como novo reforço, mostrando esperança de alcançar a glória com a camisa alvinegra, o armador Lopes, um dos contratados para esta temporada, deixou o clube de forma melancólica, por decisão da diretoria. Com isso, o novo contratado pode “herdar” o número 18 que estava designada ao ex-atleticano, dentro da nova filosofia do Galo de ter numeração fixa e camisas personalizadas.
Independentemente do que estiver estampado às costas, Aranha chegou mostrando serenidade, mas também muita confiança. “Desde que surgiu a possibilidade de defender o Atlético, começou a pressão de familiares e amigos para que me transferisse, todos ficaram muito entusiasmados, e eu também. Sei que a responsabilidade de jogar aqui é grande e vejo isso como uma coisa boa. Fiquei sete anos na Ponte Preta e também quero escrever minha história aqui”, afirmou o goleiro, de 28 anos e que só defendeu outro clube na carreira além da Macaca, o também paulista Suzano.
Esta não é a primeira passagem do jogador no Galo. Há cerca de 10 anos, ele esteve no clube para testes, mas, depois de três semanas, acabou dispensado. Sem lamentar, ele considera que, à época, ainda estava crescendo tecnicamente, além de o alvinegro já contar com atletas de excelente nível técnico.
Agora, ele espera ter a chance de mostrar sua qualidade. Nem por isso exige ser titular. “Assinei contrato e sou funcionário do clube. O que prometo é muito trabalho e acho que jogará aquele que estiver melhor. Se for o Juninho, terá o meu respeito. Se for eu o escolhido, tenho certeza de que ele vai respeitar, como todos os outros que aqui estão”, argumentou Aranha, que ganhou o apelido ainda quando atuava na natal Pouso Alegre. “Um treinador me sugeriu que o usasse, pois remetia ao Yashin (lendário goleiro russo), me traria sorte, ajudaria a ser lembrado. Eu não gostava muito, mas acabei adotando e acho que realmente ficou bom.”
Mesmo recém-chegado ao Galo e sem ter participado de um treino coletivo sequer, o goleiro tenta contribuir para que a equipe conquiste a terceira vitória seguida no Brasileiro. Para isso, dá dicas sobre o Santo André, adversário de amanhã, no Mineirão, o qual enfrentou três vezes pelo Campeonato Paulista deste ano, sendo duas pelas semifinais do chamado Torneio do Interior. “O Santo André pode não ser grande como o Atlético, mas tem jogadores de qualidade, experientes, que certamente darão muito trabalho se não forem bem marcados. Então, o Atlético tem de tomar muito cuidado.”
Se Aranha planeja futuro vitorioso, Lopes vai embora sem deixar muitas saudades. Apresentado em 9 de janeiro, ele disputou 14 partidas entre o Torneio de Verão do Uruguai, Copa do Brasil e Campeonato Mineiro, no qual marcou os dois únicos gols com a camisa alvinegra, ambos na goleada por 6 a 0 no Uberaba, jogo de volta das quartas de final, no Mineirão. Ele vinha se tratando de uma lesão muscular e sua última partida foi em 29 de abril, na derrota por 3 a 0 para o Vitória, pela Copa do Brasil. Segundo o diretor de gestão do Atlético, Rodolfo Gropen, o jogador “não se adaptou ao modelo de administração de Alexandre Kalil”.
ROTH REPETE TIME Para o jogo com o Santo André, amanhã, o técnico Celso Roth deverá repetir a escalação das duas últimas partidas, não coincidentemente, vitórias sobre Grêmio e Sport. Com isso, os jogadores que vêm sendo escalados estão aproveitando a sequência para ganhar ainda mais ritmo, tão importante em um campeonato disputado como o Brasileiro.
É o caso do zagueiro Welton Felipe, que vem fazendo boas partidas. Ele se mostra consciente da necessidade de a equipe manter a concentração contra o Ramalhão. “O Brasileiro é difícil e ainda tem muita coisas para ocorrer. Mas começamos bem e temos de manter a pegada. Alguns podem achar que não, mas a tendência é termos um jogo difícil contra o Santo André. Não podemos vacilar”, disse.