sábado, 2 de maio de 2009

Clássico mineiro expõe momentos diferentes de goleiros 02/05/2009 - 07h30

Fábio, ídolo celeste, considera injustas as críticas feitas ao goleiro atleticano Juninho
Juninho (f), que levou 8 gols em dois jogos, e o reserva Edson são duramente criticados

Bernardo Lacerda e Gustavo Andrade Em Belo Horizonte
A recente goleada do Cruzeiro sobre o Atlético-MG, por 5 a 0, no 11º clássico consecutivo em que o time celeste não perde para o rival, comprova a diferença do futebol apresentado por ambos. A distinção começa no gol, posição que segundo máxima popular, ajuda a definir uma grande equipe. Enquanto o cruzeirense Fábio tem fortalecida a cada jogo sua condição de ídolo do torcedor, Juninho e Edson, titular e reserva imediato, no alvinegro, não conseguem se acertar.
Juninho, que só não foi escalado por Leão na atual temporada na vitória no segundo jogo contra o Guaratinguetá, por 2 a 0, quando cumpriu suspensão pela expulsão na partida anterior, pela Copa do Brasil, não conquistou a confiança do torcedor atleticano, o mesmo acontecendo com Edson, que já foi o goleiro titular alvinegro.Nos dois últimos jogos do Atlético, Juninho sofreu oito gols, na goleada de 5 a 0 para o Cruzeiro e na derrota pra o Vitória, por 3 a 0. Para complicar sua situação, o camisa 1 tem sido acusado de falhar em muitos desses gols, soltando bolas consideradas defensáveis e não cortando cruzamentos altos sobre a sua área. Contando os dois jogos que abriram a decisão do mineiro em 2008 e este ano, Juninho levou 10 gols do Cruzeiro, cinco em cada.Do lado celeste da Lagoa da Pampulha, Fábio, depois de passar por testes e momentos difíceis se tornou ídolo da torcida cruzeirense e é uma espécie de intocável na equipe. E este bom momento vivido pelo goleiro é comprovado pelos números dele desde sua chegada ao Cruzeiro.Fábio está perto de completar 264 jogos com a camisa celeste e se igualar ao também ídolo da torcida celeste, Paulo César Borges, como o quinto goleiro que mais defendeu a equipe mineira. O atual titular tem 261 partidas, que o colocam como jogador que mais representou o time celeste no atual elenco.A primeira passagem de Fábio pelo Cruzeiro foi entre 1999 e 2000, quando o time celeste conquistou o título da Copa do Brasil 2000. Desde o retorno ao clube, em 2005, o camisa 1 ajudou nas conquistas do Campeonato Mineiro em 2006 e 2008."Sou um felizardo. Deus me deu um dom e me colocou onde estou hoje, sempre trilhei meu caminho da forma mais positiva que eu possa imaginar. Tive dificuldades, mas cada uma foi vencida com bastante respeito, bastante trabalho e fico bastante feliz com esses, praticamente, 11 anos como profissional", comentou Fábio.Já do lado alvinegro, Juninho e Edson não têm a confiança da torcida e nem da diretoria do clube, já que o presidente Alexandre Kalil, sem consultar ou pelo menos informar o técnico Leão, tenta fechar a contratação do goleiro argentino Carlos Bossio, de 36 anos, do Lanus.Juninho, que chegou ao Atlético-MG na metade do Brasileiro de 2007, vindo do América-RN, nunca conseguiu passar total confiança para a torcida. O goleiro chegou a ter boas atuações com a camisa alvinegra, mas acabou falhando em jogos decisivos, sendo criticado por isso.E principalmente contra o rival Cruzeiro, Juninho não tem bom retrospecto. O camisa 1 alvinegro foi o goleiro titular nas duas goleadas, de 5 a 0, sofrida pelo Atlético, nas finais do Campeonato Mineiro, de 2008 e 2009, levando assim grande culpa por parte dos torcedores.Já Edson, formado na categoria de base do clube, nunca conseguiu se firmar como titular do gol e assim como Juninho, foi seguidamente criticado pela torcida atleticana, por sempre cometer falhas e ser um goleiro instável.Defesa de Leão e FábioApesar das críticas, o técnico Leão defende a permanência dos dois goleiros no elenco do Atlético. "Eu me lembro, que quando eu deixei o Galo, o Juninho era ídolo sem nenhuma contestação, eu retorno e vejo os goleiros com uma rejeição muito grande", avaliou o treinador.Para ele, vem sendo feito uma pressão para provar que tanto Juninho, quanto Edson não têm condições de serem goleiros do Atlético. "Criou-se uma filosofia com alguns jogadores do Galo, que não é para eles jogarem aqui. Quem tem a filosofia definida e tem o direito de tomar as decisões é o presidente e eu como treinador tenho de me convencer que é o melhor para o time", observou.Opinião parecida tem o volante atleticano Fabiano. Para o experiente jogador, principalmente pelos dois últimos resultados da equipe mineira, derrota para o Cruzeiro pelo estadual e para o Vitória, pela Copa do Brasil, a pressão sobre alguns jogadores aumentou."Muitas coisas com estas duas derrotas mudaram, principalmente com as pessoas que não fazem parte do dia-a-dia, falaram muitas coisas e a situação mudou. Jogadores que tinham um respaldo antes, hoje são criticados, mas nós sabemos que isso faz parte da nossa profissão, coisas que não vinham acontecendo estão acontecendo", comentou Fabiano.Mas assim como Juninho e Edson, Fábio chegou a viver um momento complicado com a camisa do Cruzeiro. Na goleada sofrida pelo time celeste, no clássico de 2007, o goleiro era o titular e chegou a sofrer um gol de costas, marcado pelo atacante Wanderley, do Atlético."Tive dificuldades aqui e em outras equipes, mas todas foram vencidas com bastante respeito, trabalho", comentou Fábio, que defende o amigo Juninho. "Acho infelizes algumas pessoas que julgam o Juninho. Principalmente neste ano, acho que ele está muito bem, fez boas defesas nos jogos que eu acompanhei e ele está tranquilo para fazer um bom trabalho", acrescentou.

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