terça-feira, 5 de maio de 2009

Os oito dias que abalaram o Galo (05/05)

Paulo Galvão - Estado de Minas

O Atlético vinha realizando campanha razoável na temporada, mas bastaram duas derrotas por goleada e um empate em oito dias para que o técnico fosse trocado: saiu Emerson Leão, entrou Celso Roth. O principal motivo foi o vexame diante do Cruzeiro (5 a 0), na abertura da decisão do Campeonato Mineiro, mas também pesaram os 3 a 0 sofridos contra o Vitória, pela rodada de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, e, em menor grau, o empate por 1 a 1 que valeu à Raposa o bicampeonato estadual.
A demissão foi comunicada a Leão, nos primeiros minutos de ontem, pelo presidente Alexandre Kalil, que chegara horas antes da Argentina. Em seguida, o dirigente telefonou para Roth, que estava sem clube desde que foi dispensado pelo Grêmio, no início de abril, depois de fracassar no Campeonato Gaúcho e apesar da boa campanha na Copa Libertadores.
“Para alguns, pode ter sido surpresa, mas mudamos porque considero o primeiro semestre desastroso. Já disse aos jogadores que o meu Atlético não será o do desastre do primeiro jogo da final. Não queríamos deixar uma crise se agravar. Então, aproveitamos que tínhamos no mercado um treinador do mesmo nível do que sai, escolhido no ano passado um dos três melhores do Brasil. Contratamos um treinador de alto nível, que é o que queremos para o Atlético”, argumentou Kalil, no início da semana da estreia no Brasileiro.
O presidente trabalhou com o técnico em 2003, quando era diretor de futebol, e tinha preferência por ele ao assumir o comando alvinegro, no fim do ano passado, mas o treinador estava no Grêmio. De qualquer forma, fez questão de agradecer a Leão pela dedicação.
Roth retorna ao Galo quase seis anos depois de demitido. Em 2003, estreou em janeiro, no Campeonato Mineiro, e conseguiu bom desempenho (cerca de 61%, contando também Copa do Brasil e Brasileiro). Mas alguns resultados foram minando seu trabalho, como a derrota por 4 a 2 para o Cruzeiro, pelo Estadual, disputadado em um só turno, por pontos corridos – o time celeste seria campeão invicto, como agora.
Nas quartas de final da Copa do Brasil, o Atlético foi goleado pelo Sport por 4 a 0 na Ilha do Retiro e, no Independência, obteve insuficiente vitória de virada por 3 a 1. No Brasileiro, o time chegou a ficar em quarto lugar, com bons resultados, como os 3 a 0 no Corinthians, no Pacaembu, logo na estreia. Mas derrotas como a por 2 a 1 para o Coritiba, no Mineirão, e empates como o 1 a 1 com o Figueirense, no Independência, levaram a equipe a perder posições. Para completar, o Cruzeiro, que conquistara também a Copa do Brasil, disparou na liderança, a caminho de fechar o ano com a tríplice coroa.
A pressão no alvinegro só aumentou até o treinador ser demitido em 19 de julho, dia seguinte à derrota por 4 a 3 para o Fortaleza, no Castelão, pela 20ª rodada. O Galo figurava na sétima posição, a mesma em que terminaria a competição. À época, Roth alegou que a comparação com o Cruzeiro teria sido fundamental para sua queda.
Agora, espera que bons resultados acabem com qualquer rejeição por parte da torcida. “É um prazer voltar ao Atlético, reencontrar pessoas de que gosto muito. Estar novamente em Belo Horizonte é sempre bom. Tomara que os torcedores estejam com os mesmos anseios que nós e nos ajude, a começar pelo difícil jogo contra o Vitória (amanhã, pela Copa do Brasil). Sei que a torcida está machucada, sem paciência, mas só vamos conseguir superar as dificuldades com a ajuda dela.”
Tão logo chegou, ele já trabalhava na Cidade do Galo. Ontem à tarde, começou a preparar o time. Com pouco tempo, não deve fazer grandes mudanças. “O grupo tem algum desequilíbrio e já estamos conversando para resolver isso. Mas, no momento, o mais importante não são os que podem chegar, mas os que estão aqui e têm de ser valorizados.”
DESPEDIDA No fim da manhã, Leão se despedia do Atlético. Segundo ele, a estrutura do time está montada e poderá ser aproveitada pelo substituto. “Procurei mais uma vez ajudar o Galo, unir o clube, os jogadores. Nosso índice de aproveitamento foi muito bom e meu sentimento sempre será de alegria e saudade deste clube. Quero agradecer a todos os atletas, que se dedicaram e, no último jogo, mostraram que são homens dedicados e profissionais. Mesmo com 10 em campo, foram gigantes.” Ele assumira o cargo em 14 de dezembro para sua terceira e mais curta passagem pelo alvinegro. A primeira foi em 1997 e a segunda, em 2007.

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