quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Entre dois amores (12/08)

Paulo Galvão - Estado de Minas

Duas das equipes mais tradicionais do futebol do país, que somam cinco títulos brasileiros, se enfrentam hoje, às 21h50, no Mineirão, fechando a 18ª rodada da atual edição. Há tempos elas não se encontram juntas nas primeiras posições da tabela. Com perspectiva de casa cheia, pode-se esperar o melhor de Atlético (terceiro colocado, com dois jogos a menos do que o segundo, o Goiás) e Palmeiras (líder, com uma partida a mais do que os mineiros).
Ver o Galo e o alviverde brigando pela liderança, de olho no título, deixa qualquer torcedor feliz. Imaginem então alguém que fez história tanto em Lourdes quanto no Parque Antártica. Como o ex-atacante Ronaldo Gonçalves Drumond, ponta-direita do time atleticano que conquistou o primeiro Brasileiro, em 1971, sob a direção de Telê Santana, e da Academia palmeirense, que levantou a taça nos dois anos seguintes, comandada por Oswaldo Brandão.
Para Ronaldo, hoje com 63 anos, o momento condiz com a tradição das duas equipes, levando-o a prever grande partida esta noite. “É um jogo sem favoritos. Acho que o Celso Roth soube montar o Atlético de uma forma muito homogênea, sem grandes estrelas, mas jogando certinho, atacando e defendendo em bloco, todos pensando na equipe e sem muita vaidade. Já o Palmeiras está crescendo com o Muricy Ramalho e também é perigoso, como já demonstrou neste Brasileiro”, declara o ex-jogador, que também conquistou a Copa Libertadores de 1976 pelo Cruzeiro, antes de encerrar a carreira.
Primo de Tostão, um dos maiores jogadores da história, Ronaldo guarda em casa fotos emolduradas dos times que defendeu e de encontros marcantes de seu tempo, como um com o então santista Pelé. Ele considera que o futebol mudou bastante desde então. Entre as principais alterações, observa que praticamente todos os craques do Brasil jogavam no país, nas décadas de 1960 e 1970, enquanto hoje se espalham pela Europa e até em países da Ásia, sem tanta tradição no esporte.
Mas isso não o impede de ver certas semelhanças com o passado. Recorda que o Galo campeão brasileiro era homogêneo, com o artilheiro Dario no papel hoje desempenhado por Diego Tardelli (desfalque esta noite, por estar na Seleção Brasileira). “Como agora, em 1971 nosso time foi adquirindo confiança, chegou à fase final embalado e conquistou o título. Já o Palmeiras de 1972 e 1973 era mais estruturado, tinha muitos craques, tanto que era chamado de Academia. Mesmo enfrentando adversários fortes, como Santos e Corinthians, conseguimos o bicampeonato.”
Dono de corretora de imóveis em Belo Horizonte, Ronaldo é anualmente convidado para comemorações no Palmeiras. Tanto pelo bicampeonato brasileiro quanto pelo título paulista de 1974, no qual foi o herói, ao fazer o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Corinthians, no Morumbi – como consequência, Rivellino foi praticamente mandado embora do Parque São Jorge, negociado ao Fluminense.
APOIO DA TORCIDA Ronaldo considera a fórmula dos pontos corridos, adotada em 2003, mais justa do que os mata-matas ou triangulares de outras edições. Exatamente por causa dela, vê a competição deste ano ainda em aberto, independentemente do resultado de hoje. De qualquer forma, destaca a importância de somar três pontos. “Por isso, a torcida atleticana será muito importante. Poderá ajudar muito, ao incentivar a equipe.”
Para o ex-atacante, quando atuam hoje fora de casa, os times pensam primeiro em não sofrer gols, para só então tentar marcá-los. Assim, espera o Palmeiras mais fechado, tentando segurar o ímpeto do Galo, ao qual recomenda inteligência para sair de campo com a vitória.

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