segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Marques - Persistência de um ídolo (09/08)


Paulo Galvão - Estado de Minas


Em recuperação desde janeiro, depois de se submeter a cirurgia para reconstrução da cartilagem do joelho direito, o xodó do Galo, Marques, luta para voltar à ativa


Atleticano que não desiste nunca. Assim é o atacante Marques, xodó da torcida alvinegra, que se recupera, desde janeiro, de procedimento cirúrgico para reconstrução da cartilagem do joelho direito. Aos 36 anos, realizado profissional e financeiramente, com títulos no currículo, passagens por outros grandes clubes brasileiros e pelo exterior, ídolo dos torcedores, ele poderia estar curtindo merecida aposentadoria depois de 15 anos correndo atrás da bola, mas prefere continuar lutando para fazer o que mais gosta: jogar futebol. Desde que deixou a mesa de cirurgia, o atleta demonstrou paciência oriental, adquirida nos anos que passou no Japão, para suportar a recuperação. Depois de período de repouso, com uso de aparelho imobilizador que o impedia de dobrar o joelho além do desejado pelos médicos, vieram as incontáveis, e muitas vezes enfadonhas, sessões de fisioterapia, até chegar ao trabalho de recuperação física e o ansiado reencontro com a amada redonda, mesmo que de forma rápida e longe dos companheiros. Uma rotina maçante para qualquer um e ainda mais para um atleta profissional. Assim, só com muita seriedade e profissionalismo, o atacante tem conseguido superar as dificuldades. “É preciso estar forte espiritualmente e tenho muita fé que tudo vai dar certo. Meu sonho é voltar e poder me despedir do futebol dentro de campo, defendendo o clube, ao lado dos companheiros, e tenho me esforçado, feito todo o possível para que isso ocorra”, afirma Marques, cujo contrato, válido até junho do ano que vem, é por produtividade, ou seja, os vencimentos são condicionados à participação nos jogos. Fortemente identificado com o Galo, depois de defender o clube de 1997 a 2002, em 2005, 2006 e desde o ano passado, ele formou uma legião de admiradores por sua agilidade, habilidade e disposição. Entre os fãs estão atuais colegas de profissão, o que também o motiva a continuar trabalhando. “Eu me vejo como um exemplo, sei que o pessoal mais novo vê a força que estou fazendo para voltar. No primeiro semestre, por exemplo, tive a companhia de jovens como o (volante) Serginho, o (lateral-direito) Sheslon e o (zagueiro) Samuel no departamento médico, onde um ajuda o outro, dá força, não deixa desanimar. Isso é muito importante, pois, às vezes, o trabalho é repetitivo e você não pode vir triste”, explica ele, destacando, ainda, a importância do apoio recebido da família. O atacante vai todos os dias à Cidade do Galo, sendo que em um dia trabalha em tempo integral, almoçando por lá, e no seguinte tem atividade em um único período, possibilitando o descanso da musculatura. O cotidiano é desgastante, mas, agora, ele já vislumbra um horizonte bem mais claro, com a possibilidade de voltar a treinar com bola e com o grupo em breve. Rodrigo Lasmar, chefe do departamento médico do Atlético e responsável pela cirurgia, ressalta, porém, que não pode haver pressa. “Trata-se de uma lesão de recuperação lenta. Há algumas semanas nós o liberamos para atividades mais intensas, mas ele sentiu incômodo e recuamos um pouco. Agora, com o trabalho de fortalecimento e reequilíbrio muscular, ele está avançando bem”, diz o médico, que usou uma técnica inovadora na cirurgia, raspando a cartilagem lesionada e realizando pequenas perfurações no osso para estimular o organismo a criar novo tecido no local. Ele elogia a força de vontade de Marques, considerando-o uma pessoa muito fácil de trabalhar. Além disso, destaca o profissionalismo e a dedicação do atleta. Na torcida Sem poder atuar, Marques tem procurado ajudar os companheiros se juntando aos milhares de torcedores do Atlético. Dizendo acompanhar todos os jogos da equipe, ele se mostra muito feliz com a boa campanha no Campeonato Brasileiro e estará novamente em frente à TV na quarta-feira, quando o Galo pega o Palmeiras, no Mineirão. “Os problemas políticos ficaram para trás, foi montada uma equipe competitiva e a torcida tem apoiado. Conheço bem o Atlético e sei que, quando há essa sintonia entre o time e o torcedor, as coisas funcionam.” Os atleticanos, aliás, também têm sido importantes na recuperação do atacante. Afinal, sempre que sai às ruas, ele recebe manifestações de carinho. “O torcedor sempre foi meu maior parceiro e não vejo a hora de estar no Mineirão ouvindo: ‘Olê, Marques’. Muitos que encontro falam que o time estaria ainda mais forte se eu pudesse jogar, pedem para eu voltar logo. Isso é mais um combustível para fazer tudo direito”, declara o experiente atleta, que cogita a carreira política quando abandonar os gramados. A vontade de jogar é tamanha que Marques diz ter saudade até de uma coisa abominada pela maioria dos jogadores, a concentração para os jogos. “Sempre gostei de estar com a rapaziada e espero voltar a estar com todos logo.” Enquanto o xodó continua em tratamento, os demais jogadores seguem a preparação para pegar o Palmeiras. Talvez tentando armar alguma surpresa, a atividade deste domingo foi fechada para a imprensa. Segunda e terça-feira, a equipe treina à tarde, quando o técnico Celso Roth poderá definir a escalação. A maior dúvida é quanto ao substituto de Diego Tardelli, que se apresenta à Seleção Brasileira que faz amistoso com a Estônia, também na quarta-feira.

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