Ludymilla Sá - Estado de Minas
De coadjuvante, time alvinegro torna-se o protagonista, mas prega o discurso de cautela
O Atlético vive momento mágico no Campeonato Brasileiro. De coadjuvante, tornou-se, em poucas rodadas, o principal protagonista da trama, o adversário a ser batido. Depois de perder o título estadual mais uma vez para o arquirrival, Cruzeiro (como no ano passado, foi goleado no primeiro jogo final por 5 a 0; o segundo terminou 1 a 1), o Galo iniciou o Nacional desacreditado pelos torcedores. Mas rapidamente tomou conta do terreiro e, além de líder isolado, é o único invicto (cinco vitórias e dois empates).
Na Cidade do Galo, porém, os jogadores adotaram o discurso da cautela. Sobretudo os que sentiram o amargo sabor do rebaixamento em 2005, como o lateral-esquerdo Thiago Feltri. “É muito bom ser líder, depois de termos passado por momentos tão difíceis. É algo que não acontecia há muito tempo. Mas temos de ficar atentos, ter cautela, porque vai ficar difícil a cada jogo a partir de agora. Temos de continuar trabalhando muito.”
Formado na base atleticana, ele foi promovido justamente no trágico ano do descenso. Não seria exagero dizer que foi execrado pelos torcedores até sair do time. Amargou o banco de reservas por bom tempo, participou da conquista da Série B no ano seguinte, foi emprestado ao Goiás no ano passado, depois de uma goleada sofrida para o São Paulo por 4 a 1, pelo primeiro turno do Brasileiro, no Morumbi.
Tão logo terminou a competição, Thiago Feltri retornou ao Galo, inicialmente como reserva de Júnior, mas de novo titular desde a vitória por 2 a 1 sobre o Grêmio, pela segunda rodada do atual Brasileiro. Naquela noite de sábado, até marcou o primeiro gol – o outro, nos acréscimos, foi de pênalti, convertido por Diego Tardelli. Nunca se imaginaria um Atlético tão dependente do jogador, que não enfrentou o Santos, domingo, por ter sido expulso na goleada por 3 a 0 sobre o Náutico. Ainda mais que Júnior também cumpria suspensão, pelo terceiro cartão amarelo. Com o armador Chiquinho improvisado na lateral no primeiro tempo e o lateral-direito Marcos Rocha no segundo, a equipe encontrou dificuldades para vencer de virada por 3 a 2, na Vila Belmiro.
Thiago Feltri prefere não ter tanta responsabilidade. “Acho que o time não depende de mim. Só estou procurando fazer bem feito a minha parte. E todos os jogadores têm de fazer assim também. O importante é o grupo. Todos os setores estão bem e podem melhorar ainda mais.”
Para ser campeão Apesar do bom momento, o técnico Celso Roth, ainda invicto no cargo, mantém os pés no chão. Sabe que a primeira derrota será inevitável, mas não esconde que voltou a Belo Horizonte para ser campeão, independentemente do recente passado alvinegro. “Pela grandeza do Atlético e pela história que tem, não se pode pensar em outra coisa, senão no título. Mas é bom lembrar que a derrota é sempre um mal necessário, porque ela acontece. Estamos num jogo e temos ainda uma luta muito grande pela frente. O campeonato mal começou e estamos encarando cada partida como uma decisão.”
Ele evita projeções. “Não existe isso, porque cada jogo tem suas peculiaridades.” Júnior, que deve ser mantido no meio, concorda. “A liderança engana. Dá-se a impressão de que somos o melhor time do mundo. O negócio é ser bem realista e ter humildade. Assim, vamos chegar lá”.
Na oitava rodada, o Galo enfrentará sábado o Barueri, fora. Roth não terá o zagueiro Welton Felipe, que levou o terceiro amarelo contra o Peixe. O novato Alex Bruno e o recém-promovido dos juniores Thiago Cardoso disputam a vaga, uma vez que Leandro Almeida, recuperado de estiramento na coxa direita, está sem ritmo. Marcos também está fora dos planos, por vir de recente contusão. O artilheiro Diego Tardelli foi poupado dos treinos de ontem, com dor na parte posterior da coxa esquerda. Mas não deve ser problema.
O Atlético já vende ingressos para o jogo contra o Botafogo, dia 4, no Mineirão. Ontem, foram negociados 3.522 bilhetes. As bilheterias são nos postos tradicionais. Preços: cadeira superior, R$ 20; especial, R$ 50; de setor, R$ 20; geral, R$ 2.
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