quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Paixão com civilidade (13/08)

Ludymilla Sá - Estado de Minas

Exagero nenhum referir-se ao jogo entre Atlético e Palmeiras como de uma só torcida. Não só pela maioria quase absoluta da massa alvinegra no Mineirão – afinal, para o Galo era a partida-chave do campeonato –, mas também pelo clima amistoso entre as torcidas rivais. Atleticanos e palmeirenses são coirmãos e mostraram que futebol é alegria e, sobretudo, um momento de confraternização. “Gostoso é esse clima de respeito ao adversário sempre, senão o futebol acaba”, comentou Paulo Sérgio, de 41 anos, torcedor alvinegro.
As duas torcidas faziam a festa no estacionamento do estádio antes de a bola rolar. Houve até troca de camisas e torcedores vestidos com os dois uniformes. O indonésio Cornelius, que fez questão de frisar que não tem sobrenome, foi um dos que foram ao campo somente para festejar. Para ele, não importaria o vencedor. “Sou atleticano e palmeirense, vim torcer para os dois.”
Já o palmeirense William Resende, de 23 anos, apesar de também defender o discurso da amizade, avisou que dentro de campo a história seria outra. “As duas torcidas são unidas demais, sempre uma apoia a outra, sempre na paz, mas, quando é jogo contra, a coisa muda de figura. Vamos torcer sempre para o nosso time vencer.”
LENDA Era o que esperava um dos mais ilustres atleticanos presentes no Mineirão: o lendário Mexicano, apontado como um dos mais importantes jogadores da história do Galo. Aos 82 anos, ele teve forças para viajar de Patrocínio até a capital mineira e demonstrar a paixão pelo clube, o qual defendeu por mais de uma década, de 1945 a 1959.
Devidamente uniformizado, Mexicano foi convicto ao apostar num triunfo atleticano, assim como William Resende, de uma geração bem diferente, foi ao confiar na vitória palmeirense. “Essa é a maior emoção da minha vida nos últimos tempos. Estar aqui, junto de atleticanos tão apaixonados pelo Galo como eu sou”, disse Mexicano.
E a massa deu, mais uma vez no Campeonato Brasileiro, demonstração da paixão pelo Atlético. Além de ter lotado o estádio da Pampulha, apoiou o time do início ao fim da partida, independentemente do resultado. Cantou o hino, mesmo depois de o time ter levado o empate no primeiro tempo, e a cada contra-ataque.

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