sábado, 21 de março de 2009

A primeira vez (21/03)

O registro mais antigo de um time posado atleticano foi o de 1910, quando o uniforme já era em preto e branco
Paulo Galvão - Estado de Minas


Há exatos 100 anos, Pingo (o futuro escritor Aníbal Machado) fazia o pioneiro gol da história alvinegra, no jogo inaugural do clube: 3 a 0 sobre o Sport Club Football


O Atlético completa 101 anos quarta-feira, data que a torcida espera comemorar com vitória sobre o Ituiutaba, no Pontal do Triângulo – quem sabe fechando na liderança a primeira fase do Campeonato Mineiro?. Mas, neste sábado, véspera do jogo contra o Villa Nova, a massa também tem motivo para se orgulhar: em 21 de março de 1909, quase um ano depois de fundado, o alvinegro entrava em campo pela primeira vez, e em grande estilo: vitória por 3 a 0 sobre o Sport Club Football, no campo do adversário, na Avenida Paraopeba (atual Augusto de Lima), onde hoje se localiza o Minascentro.
Os dados sobre a partida são escassos. Mas é sabido que o atacante Aníbal Machado, o Pingo, que se consagraria como grande escritor brasileiro, foi o autor do primeiro gol da história atleticana. Com apenas 14 anos, ele defenderia o clube até 1912, quando entraria na faculdade de direito, diplomando-se cinco anos mais tarde.
Logo na primeira partida, ficou clara a força que teria o Galo mais famoso do futebol. Segundo consta, o rival pediu revanche e foi novamente superado, dessa vez por de 2 a 0. No terceiro jogo, nova goleada, por 4 a 0, causou a extinção do Sport. Para completar, o Atlético, cujo campo era em terreno terraplenado para as obras de extensão da Rua Guajajaras, ainda ficou com o estádio. Só se mudaria para a Colina de Lourdes, onde mantém a sede até hoje, em 1928.
Em 1909, a agremiação ainda se chamava Athlético Mineiro Football Club. O uniforme, porém, já era o listrado em preto e branco, que substituiu o originalmente escolhido (camisa branca com listra horizontal verde na altura do peito). O futebol, então, engatinhava no país. Uma das maiores dificuldades era justamente a bola. Problema só resolvido em BH quando o pai do presidente atleticano, Margival Mendes Leal, doou uma e Antunes Nunes Filho importou outra da Europa, trocando-a por insetos que enviava a colecionadores franceses.
Do jogo inaugural, seguiram-se glórias – 39 títulos mineiros (entre eles o pioneiro, em 1915); campeão dos campeões, em 1936; campeão do gelo, em homenagem a heroica excursão pelo rigoroso inverno europeu; o primeiro Brasileiro, em 1971; as Copas Conmebol de 1992 (edição de estreia) e 1997. Feitos que só fizeram multiplicar uma torcida apaixonada, que não abandona o time nem nos momentos de maior tristeza, como a queda para a Série B do Brasileiro de 2006.
MOTIVAÇÃO E é aos torcedores que a atual equipe pretende brindar não só com vitória sobre o Villa Nova, neste domingo, às 16h, no Mineirão, pela 10ª rodada do Mineiro, mas também com o título da competição. Os jogadores com mais tempo de clube se sentem em dívida com a massa e querem quitá-la o mais rapidamente possível. “Queríamos dar pelo menos um título à torcida no ano passado, o do centenário, mas não conseguimos. Este ano, porém, temos nova oportunidade e não queremos desperdiçá-la”, afirma o goleiro Juninho, no Galo desde 2007.
Ele aponta o motivo para o otimismo: a atitude. Segundo o goleiro, o grupo está bastante unido, acima de individualismos e vaidades. “Além disso, o investimento para este ano foi bem maior. Estamos crescendo no momento em que o campeonato começa a se decidir e temos tudo para continuar fazendo boa campanha, buscando o título.”
Formado na base do Galo, que tantos craques forneceu ao futebol, o atacante Éder Luís concorda, mas prega humildade: “Não vamos falar de título, mas temos a certeza de que estamos no caminho certo. Ao entrar em campo, não pensamos que somos um time de craques, mas podemos dizer: somos competitivos diante de qualquer adversário”.

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