quinta-feira, 19 de março de 2009

Atletas dos rivais mineiros são expostos ao sol sem proteção 07h01 19/03/2009

Hidratação é medida essencial aos atletas para preservar a saúde com calor intenso.
Sol forte castiga jogadores do Atlético, que não padroniza o utilização de protetor solar

Atlético-MG e Cruzeiro não disponibilizam filtro solar aos seus atletas, que adotam atitudes diferentes em relação ao assunto.




Bernardo Lacerda e Gustavo Andrade, do Pelé.Net BELO HORIZONTE - Ao contrário de outros profissionais que trabalham expostos ao sol, mas que têm garantida a proteção por meio da convenção coletiva da categoria, como os carteiros, jogadores de futebol, em Minas, dependem de iniciativas individuais. Pelo menos, esta é a realidade nos dois maiores clubes do estado, Atlético e Cruzeiro, que admitem não adotar uma estratégia oficial em relação aos cuidados com os raios solares.
"Não há uma orientação formal, específica, passada pelo departamento médico do clube, mas tanto os jogadores quanto a comissão técnica têm o hábito de usar protetor solar", afirmou o clínico geral do Cruzeiro, Paulo Gomes. "Aqui no Cruzeiro, nós não temos o costume de passar nenhum creme, mas no Corinthians tinha o protetor solar", observou o volante Fabrício, revelando um procedimento diferente do Timão, clube que defendeu entre 2001 e 2005.O jogador, que depois do Corinthians e antes do Cruzeiro, defendeu o Jubilo Iwata, do Japão, garante que se cuida, quando o assunto é a exposição ao sol. "Eu sempre passo, acho que a maioria passa. Hoje em dia temos que tomar cuidado, mas é só o protetor", confirmou Fabrício.Na mesma direção do rival Cruzeiro, o Atlético também não adota um procedimento específico para seus atletas. "Alertamos para a questão de hidratação, para os problemas do sol, mas não temos uma norma, uma cartilha a ser seguida. Acho que isso vai de cada um", explicou o chefe do departamento médico atleticano, o ortopedista Rodrigo Lasmar.Se Atlético e Cruzeiro não obrigam o uso e nem disponibilizam protetores solares para seus jogadores, o fator sol é levado em conta pelos dois clubes, de acordo com seus médicos, e acabam, por exemplo, interferindo nos horários de treinamento, já que nos jogos muitas vezes não há como escapar do calor intenso.Segundo Paulo Gomes, os treinos realizados diariamente pelo Cruzeiro são programados levando-se em conta a questão solar. "O clube toma o cuidado de programar os treinamentos para períodos de baixa intensidade solar, modificando os horários no período de horário de verão", comentou. Pela manhã, os trabalhos na Toca da Raposa II começam às 9h e à tarde os treinos se iniciam geralmente às 16h, horários em que o sol é mais fraco.A dermatologista Juliana Baeta, 45 anos, formada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em doenças relacionadas ao meio-ambiente, aprova a preocupação com os horários de treinamentos, mas considera que o melhor seria antecipar uma hora pela manhã e retardar uma à tarde."O ideal é bem cedo, por volta das oito horas, ou mais tarde, às cinco horas, que são períodos em que o sol está mais fraco, acabando de nascer ou se pondo. Por isso, causa menos problemas", recomendou a médica.No Atlético, que segue os mesmos horários de treinamento do rival, o departamento médico revelou se preocupar com a hidratação dos atletas, principalmente nos dias de sol mais intenso. "A gente sempre está passando para os jogadores que é importante se cuidar, ter as devidas precauções com o calor. Isso evita o desgaste, problemas com hidratação, com o calor", disse Rodrigo Lasmar.A dermatologista ressalta a importância desse tipo de precaução também. "Tem de tomar cuidado com a pele, utilizando protetor, mas também cremes, para evitar o ressecamento da pele, para que não haja feridas, deve ter cuidado com a desidratação. É fundamental a absorção de líquidos, para evitar que o desgaste seja grande. Deve estar sempre tomando isotônico, água, para repor o líquido perdido", contou.Atitudes diferentesMesmo sem orientações especificas de Atlético e Cruzeiro, os jogadores dos dois clubes demonstram, de uma forma geral, consciência quanto à necessidade de se protegerem contra o sol. Os atletas disseram que se preocupam com possíveis doenças causadas pela luz solar, embora o uso do protetor solar não seja unanimidade.
"Já estou com 31 anos e sempre me cuido bem. Desde o Figueirense, eu procuro passar protetor para cuidar bem da pele, aqui no Atlético sigo este mesmo cuidado", observou o volante do Atlético Carlos Alberto.Por sua vez, o atacante cruzeirense Kléber, disse que o forte calor, seja durante os treinamentos, ou jogos, atrapalha o desempenho dos jogadores, que se desgastam muito. "Tomo cuidado com a desidratação, tomo bastante líquido, às vezes durante o treinamento procuro uma sombrinha para descansar, fugir um pouco do sol, pois o calor forte é muito ruim", revelou.Opinião parecida tem o volante atleticano Márcio Araújo. Para ele, o forte calor atrapalha, principalmente aos jogadores de maior velocidade. "Sem dúvida que quando se joga uma partida com o sol batendo direto em você, fica ainda mais desgastante. Principalmente no meu caso, que sou mais velocista e canso mais", disse o jogador alvinegro, que não utiliza protetor solar.Mas não são apenas os jogadores que mostram preocupação com o forte calor. O técnico Adilson Batista disse que foi orientado por médicos a utilizar protetor, porém, por transpirar, prefere não utilizar. "Com pele clara, temos que ter alguns cuidados, passo às vezes o protetor, mas transpiro demais e com suor cai no olho, já fui orientado a usar óculos de sol, mas não gosto também", comentou o treinador cruzeirense, que completou 41 anos na última segunda-feira. Ele recorre ao boné para se esconder do forte calor durante os trabalhos realizados na Toca da Raposa II.

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