Para especialista, filtro tem que passar a ser usado de forma tão rotineira como meião e caneleira. Carteiros dão exemplo.
Bernardo Lacerda e Gustavo Andrade, do Pelé.Net
BELO HORIZONTE - A dermatologista Juliana Baeta, especialista em doenças relacionadas ao meio-ambiente, considera que é indispensável que todo trabalhador que atua exposto ao sol tenha a consciência de se cuidar em relação ao calor e à desidratação, evitando assim doenças.
Projeto de lei quer preservar saúde dos atleta proibindo jogos entre 10h e 16h.
O deputado estadual Alencar da Silveira Júnior, que integra o Conselho Administrativo do América-MG, apresentou projeto de lei à Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais que dispõe sobre a proibição da realização de jogos de futebol, no estado, no "horário do almoço".
O parlamentar pede a proibição da realização de jogos de futebol profissional em Minas Gerais, no período entre 10h e 16h. A intenção de Alencar da Silveira é que com a proibição, os times de futebol localizados em cidades com maior calor, sejam beneficiados.
Como principal justificava para o projeto, o autor alega a importância, em primeiro lugar, da saúde dos atletas. "É desumano colocá-los para realizar atividade física altamente desgastante antes das 16h", ressaltou. "Outra justificativa importante é que antes das 16h é inviável aos torcedores comparecem aos locais dos jogos", acrescentou.
O projeto está em tramitação e para que haja aprovação pela Casa são necessários metade mais um do número total de deputados: 77. Caso seja aprovado pela Assembléia, o projeto de lei será encaminhado ao governador Aécio Neves, que poderá sancioná-lo ou vetá-lo.
"Acho que todo jogador, treinador, juiz, todo mundo que fica exposto ao sol em um jogo de futebol deve se proteger, se cuidar. É importante para evitar doenças, problemas sérios decorrentes da exposição contínua à luz solar, aos raios ultravioletas", analisou. A médica ressalta que o protetor solar deveria ser adotado como objeto de trabalho dos jogadores de futebol. Para ela, a proteção tem a mesma importância do uso do meião, caneleira, camisa, que são materiais esportivos obrigatórios para a prática de futebol. "Acho que o protetor solar deveria ser tratado como objeto de trabalho, assim como os matérias que os jogadores, juizes, médicos utilizam no dia-a-dia, o protetor solar é tão importante quanto, protege a integridade física de todos", explicou Juliana.A dermatologista frisou que o número de casos de doenças na pele, originado pela exposição à luz solar, como queimaduras e câncer de pele vêm aumentando nos últimos anos. "As doenças, como câncer de pele, queimaduras, principalmente, vem aumentando assustadoramente nos últimos anos. Cada dia a incidência deste problema é maior, tanto em pessoas novas, quanto mais velhas", observou. "Hoje percebemos, que o fator cor da pele, não vem tendo mais tanta interferência, mesmo quem é mais claro ou mais escuro tem possibilidades de ter doenças caso não tome precauções, por isso da importância de prevenir, de se cuidar, com protetor solar, com cremes, evitando a exposição direta ao sol", ressaltou Juliana.Exemplo a ser seguidoO futebol mineiro pode se inspirar no exemplo dos Correios. Em 2001, por iniciativa própria, a empresa iniciou um programa de fornecimento aos seus carteiros, em todo o país, de equipamentos de proteção individual (EPIs), que inclui filtro solar individual, óculos escuro, boné, uniforme com variação para bermuda no verão e tênis com preocupação ergométrica.De acordo com a assessoria de comunicação dos Correios, em Brasília, o que começou como iniciativa da empresa se transformou com o passar do tempo em cláusula do acordo coletivo de trabalho da categoria. Carteiro há 10 anos, Ramiro Assunção, 44 anos, ressaltou o trabalho de conscientização feito pelos Correios sobre a importância de se utilizar protetor solar e creme. "No início, não tínhamos esta preocupação, não pensávamos nisso, mas o Correio fez um trabalho em cima disso e deu certo. Mostrou as doenças, os problemas e conseguiu fazer com que todos ficassem preocupados e conscientes", comentou.Ramiro trabalha diariamente nas ruas, cumprindo jornada de seis horas, muitas vezes exposto o tempo todo à luz solar. "Depois que fiquei sabendo dos problemas que poderiam acontecer comigo, eu passei a usar proteção. No início achava estranho, mas, hoje, sei que é importante para a minha saúde", ressalto o carteiro, que também utiliza boné. "É bom para tirar aquele calor forte da nossa cabeça", salientou. A dermatologista Juliana Baeta defende a utilização de protetor solar por todas as pessoas que são obrigadas, em suas profissões, a ficarem expostas à luz solar. "Todos que ficam o dia todo no sol quente devem se precaver. São muitos os problemas que essas pessoas poderão ter no futuro, como o câncer de pele, uma das doenças que mais cresce no mundo. Deveria ser obrigatório em todas as empresas", enfatizou a médica.
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