terça-feira, 16 de junho de 2009

Quem ainda não confia? (16/06)

Ludymilla Sá - Estado de Minas

O termo desacreditado era pouco para definir o Atlético antes do Campeonato Brasileiro, depois de fracassos nas outras competições que disputara na temporada. No Campeonato Mineiro, mais uma vez fora superado pelo Cruzeiro, com nova goleada por 5 a 0 no primeiro jogo decisivo – o empate por 1 a 1 no segundo apenas confirmou o bicampeonato do arquirrival. Na Copa do Brasil, contra o Vitória, caiu nas quartas de final.
Na semana de estreia na principal competição nacional, diante do Avaí, na Ressacada, para evitar o que previa, um “desastre”, o presidente do clube, Alexandre Kalil, dispensou o técnico Emerson Leão, hoje no Sport, e trouxe de volta Celso Roth, com quem trabalhara em 2003.
Visto com desconfiança pelo torcedor, o treinador gaúcho – que há seis anos sucumbiu à comparação com o Cruzeiro de Vanderlei Luxemburgo, campeão estadual, da Copa do Brasil e do Brasileiro – se apresentou ao clube numa segunda-feira e, dois dias depois, já dirigia o time contra o Vitória. Com outro comportamento, o Atlético conseguiu devolver aos baianos, no Mineirão, a goleada por 3 a 0 sofrida no Barradão. Mas, nos pênaltis, acabou derrotado por 5 a 4, saindo da Copa do Brasil.
Pelo menos o resultado deu ao time motivação para iniciar o Brasileiro. E, em seis rodadas, o Galo já chegou à liderança. Na era dos pontos corridos, iniciada em 2003, a equipe só fechou na ponta a primeira rodada, no primeiro ano e em 2005, quando seria rebaixado. Até agora, a melhor campanha era mesmo de 2003, sob a direção do mesmo Roth (confira quadro).
É em meio a esse clima de otimismo que os jogadores atleticanos se reapresentam hoje ao treinador, na Cidade do Galo, iniciando a preparação para o jogo contra o Santos, domingo, às 18h30, na Vila Belmiro. A partida pelo Brasileiro do ano passado no mesmo estádio santista aumenta a confiança do Galo em outro grande resultado. O time, que não vencia na Vila havia 60 anos, estava perdendo por 2 a 0, mas, com raça, virou para 3 a 2 no fim, obtendo a primeira vitória fora de casa na competição.
Só na atual edição, o Galo já ganhou duas vezes no campo do adversário: além do empate por 2 a 2 com o Avaí, depois de sair perdendo por 2 a 0, a equipe de Roth venceu o Sport por 3 a 2 na Ilha do Retiro e goleou o Atlético-PR por 4 a 0 na Arena da Baixada. Em ambos os jogos causou a saída do técnico adversário: Nelsinho Baptista, no time pernambucano; Geninho, no paranaense.
MÉRITOS Para os jogadores, na maioria remanescentes do Mineiro e da Copa do Brasil, mais importante do que a troca de comando foi o novo comportamento do grupo. “Não foi a saída do Leão e a entrada do Celso. A mudança do Galo não foi em relação aos treinadores, mas devido à postura dos jogadores”, destaca Renan. O também volante Márcio Araújo até defende o técnico anterior: “Temos de agradecer ao Leão, porque a estrela do nosso time, Diego Tardelli, e dois ou três outros jogadores só vieram por causa dele. Dentro de campo, talvez ele não tenha sido feliz, mas faz parte deste grupo juntamente com o Celso, que nos tem dado uma importância muito grande”.
Seja pela troca de comando ou pela mudança de comportamento, o certo é que o Atlético lidera com méritos o Brasileiro, com a mesma pontuação do Internacional, o outro ainda invicto, mas saldo de gols superior: nove a cinco. A força do conjunto é outro ponto ressaltado por Márcio Araújo, um dos jogadores com mais tempo de Galo: “Este é o melhor grupo que se montou desde 2003. Aquele era bom, tinha várias estrelas e fez belo campeonato. Mas, agora, não são apenas os 11 titulares. Temos Evandro no banco. Tchô tem entrado bem. Alessandro sempre entra e mantém o nível. Marcos Rocha entrou na fogueira lá na Arena da Baixada e deu os passes para dois gols”. (Com Chico Vilela e Rodrigo Fonseca, do Portal Uai)

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