Estado de Minas
No passado, o Mineirão era usado, além dos jogos de futebol, para provas de concursos e vestibulares, o que não ocorre mais. Nada impede, no entanto, que o clima seja de prova dentro de campo. Como ontem, por exemplo, quando o esquema tático do técnico Celso Roth, o quadrado composto por três volantes e um lateral improvisado como armador, foi testado e aprovado, com uma vitória maiúscula, por 3 a 0 sobre o Náutico. Resultado que levou o Galo pela primeira vez a liderar o Brasileiro na era dos pontos corridos (excluídas as estreias com vitória) e marcou o reencontro do time com o bom futebol em casa.
O plano tático do treinador viveu sua prova de fogo graças a uma infantilidade do lateral-esquerdo Thiago Feltri, que deu uma entrada violenta, desnecessária, no meio-campo, quando não havia qualquer perigo, em Aílton, e foi expulso. Eram apenas 10 minutos de jogo.
Qualquer equipe se desesperaria, afinal de contas, jogar com um a menos, praticamente o tempo inteiro, seria uma temeridade. Mas dessa vez não foi, graças ao esquema adotado. Não houve a necessidade de substituição, apenas uma adequação, com Júnior passando a ocupar a lateral esquerda e Éder Luís sendo reposicionado, para ajudar a fechar esse quadrado no meio, ainda com liberdade para atacar.
Mas existiam outros fatores favoráveis ao Galo. Ter um jogador como Márcio Araújo é como contar com uma arma secreta. O baixinho fez uma de suas melhores partidas com a camisa preta e branca. Defendia, tomava a bola do adversário, partia ele mesmo para o ataque. Ía e vinha, com a maior facilidade.
Não bastasse isso, Júnior estava em tarde inspirada, pois conseguia não só executar a função na lateral, como também a de armar contra-ataques com seus lançamentos. E um gol, aos 13min, justamente da nova armação, com Éder Luís abrindo na direita, levantando para a área, uma deixada de Tardelli – isso vem se tornando rotina –, que sobra para Júnior, sozinho, à frente do gol, para empurrar a bola para as redes. Delírio nas arquibancadas. Atlético 1 a 0.
O jogo é estranho. Quem o assiste, faz uma pergunta: quem tem 11 jogadores, Náutico ou Atlético? Numericamente, o time pernambucano, mas, taticamente, o Galo. O segredo foi saber ocupar os espaços, e isso os comandados de Celso Roth fizeram. Com essa vantagem, o Atlético termina o primeiro tempo.
O segundo começa e o Náutico é outro. Se lança ao ataque. Pressiona, ameaça. Mas aos 6min, um lance capital, uma defesa de Aranha, numa cabeçada à queima-roupa. Nas arquibancadas o torcedor grita o nome do goleiro. Festeja, pois enfim tem ali, debaixo das traves, um jogador com a cara do time, capaz de operar milagres.
Pois essa defesa muda o jogo e o Galo passa a ditar novamente o ritmo. O Náutico apela. Vágner, na sequência dessa defesa, pega Jonílson, por trás e é expulso. Agora são 10 contra 10. O Galo é o senhor do gramado novamente.
E, aos 19min, um gol inusitado. Tardelli, de cabeça, algo que não acontecia há tempos, nem ele mesmo se lembra quando. “Acho que o último tinha sido ainda pelo São Paulo.” É o segundo do Galo e Celso Roth invade o gramado para festejar. “Cumprindo uma promessa que fiz a ele”, confessaria depois da partida.
FESTA O Mineirão é uma festa em duas cores. A torcida canta “Tar-de-lli, gol, gol; Tar-de-lli, gol, gol…” Também exalta Aranha e vai à loucura com as arrancadas de Márcio Araújo e Carlos Alberto pela direita. Mais uma expulsão no Náutico, a de Derley, facilita ainda mais as coisas.
E lá vem Márcio Araújo de novo. É dele o terceiro gol, aos 38min, depois de receber uma bola de Kléber. Já está bom e o torcedor, em seu delírio, grita olé, vivendo uma alegria que não tinha há tempos.
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