segunda-feira, 6 de julho de 2009

A massa merecia mais (06/07)

Ivan Drummond - Estado de Minas

Domingo é dia de futebol. Mas nem sempre. Pelo menos no empate por 1 a 1 entre Atlético e Botafogo, ontem à tarde, no Mineirão, a qualidade esteve bem distante do que mereciam os torcedores dos alvinegros de tantas histórias. Principalmente os fiéis atleticanos, que proporcionaram o maior público da rodada: 48.651 pagantes.
Muita gente foi ao estádio atraída pela memória de grandes duelos. Entre elas o aposentado João Custódio Olivares, de 78 anos, que se lembrava de uma virada carioca de 5 a 4 no Independência, de uma moedinha que decidiu a classificação mineira na Taça Brasil e, recentemente, o pênalti que só um brasileiro não viu: justamente o árbitro gaúcho Carlos Eugênio Simon. “São algumas das histórias de jogos a que assisti e não esquecerei jamais. E espero ver hoje um do mesmo nível.”
Mas o que se desenrolou no gramado do Mineirão não foi nem de perto o que Custódio e a multidão que encheu o estádio desejavam. Para começar, quem optou em ir pela Avenida Antônio Carlos sofreu por causa das obras de alargamento da via, que criaram congestionamentos em alguns pontos.
Engarrafamento foi também o que se viu no campo. O técnico botafoguense, o mineiro Ney Franco, armou um 3-6-1 que ajudou a amarrar a partida. Por isso, a primeira chance de gol só ocorreu aos 10min, com Renan errando a finalização na frente do gol, mandando a bola em cima do goleiro Castillo. A partir daí, o Galo cresceu. E conseguiu o gol em precisa cabeçada de Éder Luís, escorando cruzamento de Carlos Alberto, da direita, aos 15min.
As cadeiras e gerais ficaram em festa. Nem a desvantagem tirou o Botafogo de sua excessiva cautela. Mas, estranhamente, o Atlético recuou. Resultado: faltas bobas e desnecessárias nos atacantes adversários. Em uma delas, aos 23min, Juninho cobrou com violência e empatou.
A partida continuou dominada pela marcação. Truncada, só teve mais uma grande chance na etapa inicial. E foi botafoguense, aos 26min, desperdiçada pelo lateral Alessandro. Depois disso, o único destaque foi a torcida do Galo, pulando e cantando sem parar.
SONOLÊNCIA O segundo tempo começou tão monótono como terminou o primeiro. O telão exibiu imagem que retratava o jogo: uma torcedora bocejando. E não era para menos, quando, em torno de uma disputa de bola no círculo central, havia 14 jogadores. Só não estavam lá os três zagueiros do Botafogo, os do Atlético, Jonílson e os goleiros.
O técnico Celso Roth mexeu no Galo, deixando-o com três atacantes, depois da entrada de Júlio César na vaga de Renan Oliveira e Alessandro na de Éder Luís. Mas prevaleceu o 3-6-1 de Ney Franco, que se mostrou mais eficaz do que o 4-4-2 transformado em 4-3-3 pelo treinador atleticano.

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