sábado, 25 de abril de 2009

Em meio à polêmica (25/04)

Ludymilla Sá - Estado de Minas

A semana pré-clássico foi curta, em função da agenda de Cruzeiro e Atlético – a Raposa derrotou o Deportivo Quito por 2 a 0, quarta-feira, classificando-se para as oitavas-de-final da Copa Libertadores, e o Galo eliminou o Guaratinguetá da Copa do Brasil, pelo mesmo placar, no dia seguinte –, mas bastante agitada. Mais uma vez, o Galo levantou a polêmica do túnel e agitou os bastidores das duas finais do Campeonato Mineiro entre os maiores rivais do estado, amanhã, às 16h, no Mineirão, e dia 3, no mesmo horário e local.
Mandante do segundo jogo, o Galo pediu a inversão de vestiário e bancos. E, como alternativa, solicitou a construção de um terceiro túnel, do outro lado do campo, para que os atleticanos ficassem perto do segundo assistente. Porém, não foi atendido pelo Ministério Público Estadual e ainda corre o risco de ter de jogar, futuramente, com portões fechados.
Notificado pelo MP a comparecer, ontem, à reunião para definir “o plano de segurança, transporte e contingências” para os dois jogos decisivos, o Atlético sequer mandou um representante. O Cruzeiro esteve representado pelo presidente, Zezé Perrella; o vice, Gilvan de Pinho Tavares; o diretor de futebol, Eduardo Maluf; e mais dois advogados. Também esteve presente o presidente da Federação Mineira de Futebol (FMF), Paulo Schettino, e representantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.
Por não ter comparecido, o alvinegro pode ter de jogar com portões fechados em alguma partida das competições promovidas pela Federação Mineira de Futebol. A ausência de representantes do clube é considerada desacato, segundo o promotor de Justiça de defesa do consumidor Antônio Baeta.
“Cabe punição ao clube por não ter acatado a notificação. O objetivo da reunião era para definir o plano de segurança dos dois jogos e o Atlético, como mandante do segundo, tinha de ter apresentado o seu plano. Portanto, o clube também poderá responder judicialmente por qualquer incidente grave que ocorrer. Certamente, será responsabilizado”, assegurou Baeta.
Segundo o promotor, o pedido da diretoria do Galo – de mudança do túnel – foi negado por questões de segurança, depois de ouvir os representantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, uma vez que a delegação atleticana utilizaria um local à direita das cabines de transmissão e abaixo da torcida do Cruzeiro. “Os planos permanecem inalterados”, reforçou.
A renda dos dois jogos será dividida em partes iguais entre os clubes. Para o segundo jogo, do qual o Atlético é mandante, será colocada à disposição dos cruzeirenses 50% da carga de ingressos. O Atlético afirmara que aceitaria dividir a renda, mas disponibilizaria apenas 10% dos bilhetes para os torcedores da Raposa.
ESPERANÇA DE ESPETÁCULO Torcedores de Galo e Raposa só esperam que a polêmica não transforme a promessa de espetáculo num campo de guerra entre torcidas já no primeiro clássico. Muitos deles vararam a madrugada em frente aos postos de venda para garantir uma cadeira no estádio. Quem dormiu na fila, certamente, assegurou lugar privilegiado. “Penso que será o clássico mais disputado dos últimos 10 anos. E que essa disputa seja saudável e somente dentro das quatro linhas”, espera o cruzeirense Antônio Botelho da Rocha, de 50 anos.
Parte de uma geração bem diferente, o estudante Juan Sales, de 17, tem a mesma opinião. “O Cruzeiro sempre teve vantagem sobre o Atlético nos últimos anos. Mas sinto que desta vez não será assim. O Atlético tem um time bem melhor que o do ano passado e pode nos surpreender.”
Já do lado atleticano não falta otimismo, sobretudo por causa da campanha alvinegra na temporada. “Será um jogo bastante difícil, os dois times estão bem. Mas o técnico Leão não vai deixar a equipe entrar de salto alto e perder. Acredito no Atlético”, afirma o motorista Alex Maximiano, de 27 anos.
O estudante Pedro Henrique Gontijo, de 18, também confia na vitória atleticana. “Pelo que os dois times fizeram até agora, podemos acreditar que será um grande jogo. Tenho certeza de que o Galo vai vencer.”

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