segunda-feira, 27 de abril de 2009

Raio cai duas vezes no mesmo lugar (27/04)

Ludymilla Sá - Estado de Minas

Clássico é sinônimo de emoção. Os batimentos cardíacos ficam acelerados, a respiração, ofegante e sempre dá um frio na barriga a cada contra-ataque do adversário, ou diante de um gol perdido pelo time do coração. Cruzeirenses e atleticanos certamente foram movidos por esses sentimentos, ontem, na primeira partida decisiva do Campeonato Mineiro, no Mineirão. A torcida celeste voltou para casa com a certeza do bicampeonato, enquanto a massa alvinegra sofria com mais um fracasso. Guerreira, a Raposa soube se impor em campo, venceu de mão cheia, por 5 a 0, e retribuiu o apoio dos torcedores, em maior número no estádio, repetindo a decisão de 2008, quando abriu o mata-mata da final com o mesmo placar.
O resultado praticamente assegurou o bicampeonato à Raposa. Para mudar o curso da história, o Galo terá de devolver ao arquirrival a goleada sofrida, ou vencer pela diferença de cinco gols. O Cruzeiro também comemora a série invicta de 11 jogos (10 triunfos e um empate) diante do Galo, superando as temporadas de 1966 e 1968. Resta saber se agora os jogadores atleticanos terão tranquilidade suficiente para enfrentar o Vitória, quarta-feira, em Salvador, no primeiro jogo das oitavas-de-final da Copa do Brasil.
Na arquibancada, as torcidas travavam um duelo à parte de coros e ofensas, que se transformaram em apoio ao clube de preferência assim que a bola começou a rolar. Foi um jogo recheado de lances de perigo e muita marcação no primeiro tempo. Os atleticanos seguiram à risca o que o técnico Emerson Leão pediu no início: “Marcar bem e dar mais liberdade aos atacantes”.
Como era esperado, a referência alvinegra no ataque era Diego Tardelli, que muito bem marcado, pouco fez, e Kléber, a dos cruzeirenses.
Oportunidades não faltaram ao Atlético, de certa forma superior na primeira etapa. Mas a maioria delas foram desperdiçadas. Sem Éder Luís, suspenso, Lopes jogou adiantado, não correspondeu e acabou enfraquecendo o setor de criação. Ainda assim, o Galo chegou mais vezes ao ataque, deixando muda a torcida celeste. Por alguns minutos, o Mineirão foi atleticano diante da pressão do time de Leão sobre o de Adílson Batista. Até então, o alvinegro não se descuidava da marcação. Mas pecava no último toque. A Raposa, porém, foi esperta. Num contragolpe no fim da etapa inicial, surpreendeu a defesa atleticana, desarmada. Wagner recuou a bola de calcanhar para Kléber abrir o placar. Foi o suficiente para a torcida celeste devolver as provocações.
VEXAME O segundo tempo foi um verdadeiro vexame atleticano. O Atlético voltou outro time do vestiário, completamente apático, e foi engolido pelo Cruzeiro. A torcida, já sem paciência, pedia em coro raça aos jogadores. A defesa já não era tão consistente como no começo e o ataque pouco agredia. Logo o time celeste ampliou. Numa cobrança de escanteio, o zagueiro Leonardo Silva subiu mais que Leandro Almeida e cabeceou para as redes.
Em lance semelhante, só que do lado esquerdo, o zagueiro celeste, outra vez, marcou. Daí o Atlético perdeu a cabeça. Renan fez falta dura em Ramires e foi expulso.
Se a situação já estava crítica para o Galo, ficou ainda pior com a desvantagem numérica em campo. Aos 18min, a massa, obrigada a escutar os gritos de “é campeão!”, já deixava o estádio. E a goleada cruzeirense não parou por aí. Numa tabela entre Ramires, Jonathan e Wagner, o armador devolveu a bola para o lateral ampliar. Para piorar, Leandro Almeida também levou cartão vermelho. Jonathan soube se aproveitar, ao receber lançamento de Gérson Magrão, e liquidar a partida no fim, para a alegria da torcida celeste, que já comemorava o bicampeonato.

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